Sunday, October 28, 2012

Xintoísmo - filosofia de vida

shintō
É um conceito muito interessante e muito difícil de ser explicado. Oficialmente, é uma religião e a principal do Japão. Mas é muito mais que isso: é uma fé, uma filosofia de vida. Para os japoneses é um costume, uma tradição.

O xintoísmo nasceu aqui no Japão há milhares de anos, antes mesmo do budismo chegar aqui da China no século VI. E se você perguntar o que é xintoísmo para 20 japoneses, provavelmente terá 20 respostas diferentes.

O conceito é tão vago e ao mesmo tempo tão intrínseco da cultura japonesa que é muito difícil definir e separar exatamente um do outro. Faz parte de todo japonês. Até dos cristãos ou ateus. Chamar de religião é limitar o significado.

O xintoísmo se confunde muito com o budismo, e acho que a melhor diferenciação que eu ouvi foi: o budismo lida com a morte e o xintoísmo lida com a vida. Não é a toa que os rituais de passagens dos japoneses geralmente são:
- quando nasce um bebê, a família vai ao santuário xintoísta para abençoa-lo;
- se casam numa igreja cristã ou num santuário xintoísta;
- funerais são feitos em um templo budista.

Uma maneira fácil de saber se você está num santuário, é ver se existe um torii na entrada.


Já dá para começar a entender a complexidade da coisa. Em nenhum outro lugar do mundo eu vi tamanha mistura entre diferentes "religiões".
torii na escalada do Monte Fuji

Xintoísmo significa "caminho dos deuses" e possui as seguintes características:
- Adoração a "divindades";
- Politeísta;
- 3 "nãos": não tem um fundador/criador, não tem uma escritura e não tem uma doutrina a ser seguida.

Para entender o xintoísmo é preciso entender o que são os deuses ou divindades para os japoneses. Eles consideram como deuses/espíritos divinos o poder divino e misterioso de todas as coisas vivas, então quase tudo pode ser uma divindade. Montanhas (ex: Monte Fuji), mares, florestas, rios, ventos, etc. Tudo isso tem vida, e um poder que o homem não controla. Todos são deuses.

E melhor, nós humanos também podemos ser adorados e podemos virar deuses depois da morte. Os japoneses acreditam que nossos ancestrais nos protegem. E para isso, continuam adorando e cuidando deles como guardiões, como parte da família.

shinto priest vestido para cerimônia
O xintoísmo é super flexível. Ninguém te fala o que você tem que fazer ou não, o que é certo e o que é errado. O padre (que é uma pessoa normal, que vive uma vida normal, exatamente como qualquer um de nós, pagam impostos, etc) disse que "ninguém precisa te dizer que matar outra pessoa é errado para que você saiba que é". E, ironicamente, no nosso lado do mundo tem gente que repete isso todos os dias e continuamos nos matando. Em compensação aqui, ninguém fala, e ninguém mata ninguém!

Os santuários xintoístas nada mais são do que a "casa dos deuses". Existem 80.000 registrados no Japão, mas acham que há mais de 100.000 no total, incluindo os pequenos e independentes. Na verdade, qualquer um pode ter um santuário, até mesmo dentro de casa, então realmente o número deve ser imenso. Minha avó tinha um santuário dentro do quarto dela e todos os dias ascendia um incenso e fazia seu agradecimento, sua reza.

torii na entrada do Meiji Jingu
O xintoísmo também vem acompanhando as mudanças do Japão, abraçando a modernidade, mudando junto com as pessoas. Por exemplo, o Meiji Jingu (um dos maiores e mais famosos santuários em Tóquio e um destino turístico imperdível) foi criado em 1920 para entesourar o Emperador e a Imperatriz Meiji. Ele foi o responsável por revolucionar, reformar e renovar o Japão, e em grande parte por fazer do Japão a pontência que é hoje, social e economicamente.

Entender melhor o xintoísmo me ajudou a entender também a maneira como os japoneses lidam, por exemplo, com tsunamis, terremotos, e até com a morte. Eles já foram atingidos milhares de vezes e sabem que vai acontecer outra vez. Acho que é justamente por encarar tudo isso como parte da vida, como manifestação dos deuses, é que eles aceitam estes fatos sem maiores dramas. A vida como ela é.

Também acho que é justamente por este respeito maior por estes deuses "naturais" e vivos, é que o Japão tem 70% do seu território coberto por bosques e florestas. São representações das divindades. Os japoneses estão preocupados em como lidamos com a natureza, com o impacto que temos no meio-ambiente. Na apresentação sobre xintoísmo mostraram um vídeo que trazia um texto/poema e dizia: "uma folha cai no chão e vira terra, pra virar árvore e folha outra vez". Tão simples, mas mesmo assim parece que tanta gente ainda não sabe né?

Outra coisa que ficou clara para mim é que nem tudo no mundo precisa de uma explicação racional para existir. Tem coisas que simplesmente existem. Ponto. O xintoísmo é um bom exemplo disso. Existe há milhares de anos e super presente no cotidiano dos japoneses.

Tudo isso me fez pensar em como seria o mundo se, o ao invés dos valores e das morais cristãs por exemplo, tivéssemos o xintoísmo como filosofia de vida?




Wednesday, October 24, 2012

People have the power!!!

Antes de continuar lendo este post, coloque play no vídeo abaixo, que é o tema desta semana. Foi assim que eu me senti. Meio besta, mas foi.














Esta foto da direita é do nosso condomínio (laranja). A árvore grande fica bem no meio dos dois blocos de apartamentos, na entrada.

A primeira surpresa, na semana passada, foi receber esta carta da administração do condomínio:
A carta explica que no final de setembro ou outubro vão podar a árvore, como acontece todos os anos, para garantir a saúde dela, a boa aparência e a segurança dos moradores. Geralmente cortam os galhos e reduzem as folhas a apenas 20% de como está atualmente.

Este ano, para garantir a satisfação de todos os moradores enviaram o questionário para que a gente opinasse se queríamos:

1. Que a poda acontecesse normalmente;
2. Que a poda não acontecesse;
3. Que a poda acontecesse mas que mantivessem mais galhos que o plano inicial.

Votamos pela terceira opção, levando em consideração a segurança de todo mundo.

Logo na semana seguinte, recebemos esta outra carta com o resultado da votação dos moradores:

- 3 votaram por fazer a poda normalmente;
- 7 votaram por não podar;
- 5 votaram para que podassem menos do que o plano original.

A administração decidiu por podar deixando 80% dos galhos e folhas, ao invés dos 20% previstos inicialmente.

E claro, avisam o dia em que a poda acontecerá e quais as varandas que serão afetadas.

E foi, por algo tão simples, que eu passei alguns dias cantando: people have the power!!!

E fiquei pensando: quando será que as podas no Brasil serão feitas levando em consideração o que as pessoas que moram por perto pensam?

Um dia, quem sabe?


Wednesday, October 3, 2012

Machi-nori: "passeio pela cidade"


No último feriado fomos para a cidade de Kanazawa, que é conhecida como a mini-Kyoto.

É uma cidade que tem um projeto chamado Machi-nori, ou algo como "passeio pela cidade". Mas a idéia é um pouco diferente de um simples aluguel de bicicleta.

São 18 pontos de aluguel da Machi-nori espalhados pela cidade. Todos estão super bem localizados, próximo a algum ponto interessante: um museu, o castelo, um mercado, etc.

O sistema funciona assim: você paga ¥200 (R$ 5,00, que corresponde a uma passagem de ônibus), recebe uma senha que vale para o dia e que permite liberar uma bicicleta da base. Quando você retira a bicicleta, você pode usá-la por 30 minutos. O pagamento pode ser em dinheiro, cartão de crédito ou com o "bilhete único".

Se você passar deste tempo, cada 30 minutos usados custam outros ¥200. Mas a idéia é que você nunca pague mais do que os ¥200 iniciais. Para isso, você deve parar em algum dos 18 pontos da Machi-nori dentro dos 30'.

Logo em seguida, você pode ir até a máquina e colocar a senha que você recebeu no primeiro aluguel, e retirar outra bicicleta, que será "grátis" por mais 30 minutos.

Agora, como tudo na minha vida vem coberto de emoção, a gente só soube como funcionava o sistema bem depois de começar a usar. Simplesmente alugamos as bicicletas e fomos passear. Três horas depois, recebi uma ligação de alguém do Machi-nori. Depois de enrolar muito meu japonês, entendi que a gente já tinha gasto ¥1,200 (R$ 30) por bicicleta (éramos 3). O passeio barato estava ficando caro...

Fomos correndo para o ponto mais perto de onde estávamos, e o cara com quem eu tinha falado no telefone estava lá. Ele me explicou de novo como funcionava, pedimos desculpa por termos "roubado" três bicicletas por tanto tempo. E, pasmem, ele falou que só ia cobrar os ¥200 iniciais, já que a gente não tinha entendido como o sistema funcionada. Só no Japão!!!!

Este cara nos contou que o Machi-nori tem umas 170 bicicletas espalhadas entre os 18 pontos. E que a média por dia é de uns 300 aluguéis, mas que no feriado o número chega a 1200 por dia!!!! Ou seja: 1200 pessoas usando as mesmas 170 bicicletas!

Um caminhãozinho do Machi-nori fica transportando bicicletas de pontos onde têm muitas para onde está faltando. Mesmo assim, no feriado passamos por duas estações e estavam vazias. Tivemos que caminhar até a terceira para achar bicicletas. Mas não dá pra julgar o sistema pelo feriado, né?

Foi uma delícia! Adoramos o passeio, o Machi-nori e o serviço, que como sempre no Japão, NUNCA deixa a desejar. Não tem melhor maneira de conhecer uma cidade que de bicicleta!


Tuesday, September 11, 2012

Apresentação de taiko

Esta foi a minha apresentação de taiko domingo dia 9 de setembro. Eram várias turmas de iniciantes tocando juntas.



Tuesday, August 7, 2012

Rock in Japan Festival 2012

No final de semana passado fomos convidados pelo governador de uma província no norte de Tóquio para ir a um Festival de Rock. Confesso que eu não estava super animada, estávamos em uma visita oficial à cidade, e eu não tinha nem uma roupa confortável para enfrentar o calor de 40C, nem protetor, nem chapéu, nada.

Sem ter outra opção, fomos. E claro, valeu a pena! Não tanto pelas milhares de bandas, já que eram todas japonesas e eu não conhecia nenhuma. Valeu mesmo por ver a organização de um evento destes num país como o Japão.

São 3 dias de festival. 80.000 ingressos foram vendidos para cada dia. No dia em que foram à venda, acabaram em 10 minutos, todos!!!! Um ingresso para cada dia custava R$ 300,00 (crianças até 7 anos não pagam). Vale ressaltar que este valor aqui no Japão é bastante razoável. Basicamente vai quem quiser (e conseguir comprar ingresso, claro). 

A filosofia do festival é de "paz, amor e liberdade". E o clima é muito diferente de qualquer evento que eu já tenha ido. 

O festival acontece em um parque, que continua aberto ao público. Somente algumas áreas são de uso exclusivos dos que vão para o festival. Tem bastante crianças e até bebês. As pessoas podem conseguir uma licença para colocar uma barraca por uma noite (o festival dura duas).

Você passa pelas barracas, e todas estão abertas, com muita coisa dentro e ninguém tomando conta, porque obviamente não corre o risco de nada ser roubado. 

Esta é a vista da arena principal, de cima de uma roda-gigante que tinha no parque. A foto da direita foi tirada da arena mesmo.









Os responsáveis pelo parque contaram que no final do festival as pessoas levam todo o lixo e deixam tudo limpo. Que era uma preocupação deles no primeiro festival, mas que agora já nem se preocupam porque nunca sobra nada para trás. E enquanto estávamos lá eu não vi nenhuma latinha, nenhum copo, nada de lixo fora do lixo.

Têm áreas para as pessoas ficarem em pé, áreas para barracas e áreas para "toalhas de pic-nic". E as pessoas também, deixam tudo só marcando o lugar e vão passear.

Durante as quatro horas que ficamos lá, eu não vi nenhuma briga, nenhuma confusão, ninguém sequer esbarrou em mim. Chamamos muita atenção porque não estávamos "vestidos a caráter".

Obviamente, as principais diferenças se devem ao fato de ser um eventos com milhares de japoneses, e no Japão. É um evento sem drogas, já que elas são ilegais (de verdade) no Japão. Só vendem cerveja. As pessoas estão lá pelo evento em si, e nada mais.

Os organizadores também falaram que há alguns anos tiveram um problema com o abastecimento de água no parque durante o festival e comentaram com os participantes, pedindo a colaboração de todo mundo. Disseram que apesar do calor de quase 40C de agosto, não tiveram nenhum problema, até sobrou água no final, que as pessoas estavam economizando em tudo que podiam, evitando todo o desperdício possível.

A área de fumantes é demarcada, claro. E em uma delas havia um cadeirante! Quem me dera se todos os nosso eventos no Brasil fossem assim, né?











E os detalhes japoneses: os banheiros químicos especiais para homens, só com uma cortininha.

E os japoneses fazendo fila para tirar uma foto em frente à escultura que dizia ROCK.



Ah, o que mais me chamou a atenção: a quantidade de pessoas envolvidas na organização de um evento deste tamanho? Cerca de 700 em quase 3 turnos diários. Destes, quantos policiais? Cerca de 30 (!!!!). Afinal, o que eles iriam fazer lá, se não assistir aos shows? Acho que até em jogo do Marília Futebol Clube deve ter mais policiais que isso...

Um dia a gente chega lá, Brasil. E aí sim qualquer evento vai ser realmente inclusivo, independente de idade, sexo, condição física e social.



(Aproveito para deixar um recado de que do dia 10 ao 24 de agosto estarei organizando um evento do CISV com 52 crianças em Ishinomaki uma das áreas destruídas pelo tsunami do ano passado. Nos vemos no final do mês.)

Thursday, July 19, 2012

Lanchinho saudável

Nas estações de metrô aqui em Tóquio você encontra outros lanchinhos, alguns mais saudáveis que outros. Maçã e banana!

Uma banana por R$ 3,40?


Tuesday, June 19, 2012

Academia de gente fina

Para quem não me conhece, eu sou alérgica à academias. A única vez que eu resolvi pagar por uma coisa destas foi na Costa Rica. E logo descobri que não nasci para isso. Eu ia e ficava desesperada rezando para o tempo passar mais rápido nas máquinas. Ainda prefiro algo com um objetivo mais claro, tipo chutar uma bola no gol. Correr e não sair do lugar é coisa de hamster na gaiola. Enfim, desde então entendi que nunca mais pagaria por algo assim.

Todos os Embaixadores em Tóquio são presenteados com livre acesso a uma rede de academias. São quatro lugares diferentes. Uma fica dentro de um complexo super moderno e chicoso em Roppongi. Desde que nos mudamos de casa, a super academia fica a dois quarteirões de casa, uns 10' de porta à porta. Mesmo assim, demorei para criar coragem. O Álvaro sempre vai e adora. Para ele é quase parte do trabalho (ou pelo menos do social) já que encontra vários Embaixadores por lá. 

Na semana passada eu resolvi tentar. Como continuo inimiga das máquinas, fui experimentar uma aula de yoga. E sim, eu sou pentelha e implico com aulas de yoga de academia. Mas fui mesmo assim. A aula foi ok, nada de especial e ainda me deixou dolorida por uma semana (fazia dois anos desde a minha última aula de yoga na China). 

O que me impressionou mesmo, foi a "cajimia" em si (como diriam minhas queridas irmã e mãe). 

Comecemos pelo princípio. Você entrega seu cartão de sócio na entrada e recebe uma chave. Guarda seu sapato num locker, e segue para os vestiários. Todo mundo descalço a partir daí. Aqui no Japão você leva o seu tênis de corrida na sacola, nunca vai com ele no pé. Dentro do vestiário há outro locker grande, com o mesmo número/chave do armário do seu sapato. Tem gente que aluga um pequeno, permanentemente, para deixar seus shampoos, cremes, etc. Custa a bagatela de US$ 200 por ano. 


Tem tudo na academia. Camisetas, shorts, calças curtas e longas. Roupões. Toalhonas, toalhas e toalhinhas. Shampoo, condicionador, sabonete, creme hidratante, algodão, cotonete, escova de cabelo, gilette para os homens, secador de cabelo, escova de dente, água e outras bebidas, e por ai vai. Tudo, claro, "grátis" (e descartável). Você não precisa levar nada além da sua pessoa. Pode até alugar um tênis por lá. 


Tenho certeza que isso não é permitido, mas eu tirei fotos da área onde eu sequei minha linda cabeleira. Na segunda foto, ao fundo, vocês podem ver todas as toalhas e roupões, que obviamente são oferecidos em diversos lugares para que ninguém tenha que procurar algo por mais de meio segundo. 

Você pode fazer uma sauna com direito a piscina gelada depois... Pode aproveitar um ofurô (banho japonês) com hidromassagem... Uma delícia!!! É realmente um SPA. Tem massagens também, por um precinho "camarada". Foi uma ótima experiência, mas também ficou mais claro do que nunca quem são os maiores poluidores deste planeta. Parece óbvio, mas eu nunca tinha presenciado tanto excesso e desperdício num período tão curto de tempo. 


Como podem imaginar, tanto luxo tem um preço. Eu fiquei curiosa para saber qual seria. Para virar sócio, pasmem, paga-se:
-US$ 23,000 (sim, VINTE E TRÊS MIL dólares!!!!) no primeiro ano, 

-US$ 3,200 por ano, a partir do segundo ano. 

E como se não bastasse, todo mundo paga cada vez que usa a academia. Custa US$ 14 por ida. E cada aula custa entra US$ 47 e US$ 53. 


Me surpreendeu saber que esta academia é a número seis entre as melhores de Tóquio... Como serão as outras cinco??

Moral da história: a oportunidade de utilizar estes serviços é esta. Aqui e agora. Não posso garantir que voltarei pela "cajimia" em si, mas com certeza pelo banho!!! E não preciso nem dizer que se eu já não gostava das academias antes de conhecer esta, depois de Tóquio vai ser impossível gostar de alguma outra...

PS Quando vierem visitar, posso levar vocês. Visitas são bem-vindas (por US$ 42). Ah, desde que não tenham tatuagens visíveis, porque são estritamente proibidas. 




Monday, June 4, 2012

Frutas no Japão

Antes que todos vocês pensem que eu não tenho comido nenhuma fruta desde que eu cheguei ou que comecem a mandar frutas pelo correio, melhor eu explicar.

Sim, o Japão é caro. Sim, as frutas são caras. Mas as frutas que eu coloquei no Facebook não são as frutas que eu compro (ou que qualquer um compra) no supermercado para comer todos os dias. 

As frutas são geralmente importadas das Filipinas, México, Tailândia, etc. Para comparar, o preço mínimo das frutas que a gente compra:
- uma caixa de morango US$ 4. Fora da promoção: US$ 10;
- banana US$ 1 cada uma. Fora da promoção: US$ 2.5 cada uma;
- um cacho de uvas US$ 6.5. Fora da promoção: US$ 12... e por aí vai.

Mas... o Japão tem estas outras frutas que são impagáveis. Eu aprendi esta semana que elas são feitas aqui mesmo, cada uma em uma região específica do Japão, e o preço é alto porque são de altíssima qualidade, cuidadas praticamente uma a uma por uma mão de obra das mais caras do mundo. O resultado? Preços como estes das fotos: duas mangas por US$ 128, um cacho de uvas ou uma caixa com uma dúzia de ameixas amarelas por US$ 65. E por aí vai... E estas não são das mais caras.

Têm outras ainda mais caras, de lojas mais famosas. E fica a pergunta: quem compra? Geralmente as frutas são dadas de presente para grandes amigos ou clientes especiais. Na maioria das vezes, empresas compram para agradecer contatos importantes em datas que os japoneses consideram importantes. 

No ano passado ganhamos dois cachos de uvas numa caixa liiiiinda. Só depois fui saber que era de uma das lojas de frutas mais famosas de Tóquio. Mas obviamente, já tínhamos desfrutado de cada uvinha...

Tivemos uma festa do CISV há uns meses e quando trouxeram as sobremesas, vieram bandejas de frutas e de docinhos que apetecem a qualquer um (pelo menos era o que eu achava até então). Mas eu e todas as crianças, juntos, voamos nas bandejas de frutas!!! Nunca vi crianças disputando frutas sendo que ao lado tinham bandejas de doces lindos! Me senti mal de ficar lutando com crianças, resolvi me fazer de civilizada, adulta, educada, e esperar para comer umas frutinhas. Adivinhem? Não sobrou nada, óbvio! Tive que me contentar com os docinhos.

É nestas horas que faz falta morar em um país tropical... Aproveitem muito todas as frutas por mim, incluindo aquele suquinho de laranja da padaria, básico! Ai que saudades!! Sempre a poucos quarteirões de qualquer um, e a preço de banana (no Brasil, não no Japão, claro)...

Wednesday, May 23, 2012

Cão de botas - parte II

Pois é, tanto que eu ria dos chineses com seus cachorros com meias, e aqui me deparo com a mesma situação com os japoneses. hahaha Na China, realmente acho que fosse necessário, porque o chão é realmente imundo!!! Mas aqui, tudo é tão limpo, que não sei se precisa... enfim...

A parte mais interessante dos japoneses saindo com os cachorros para passear é o kit que não pode faltar:
- saquinho de lixo para não deixar o coco na rua;
- garrafinha de água.

E vocês pensam que a garrafinha é para o cachorro beber água? Não!!!! É só para dar uma borrifadinha de água em cada ponto que o cachorro fizer xixi.

Um dia o Brasil vai ser educado assim... tenho fé!!!

Para quem não viu a versão chinesa, segue o link

Wednesday, May 16, 2012

Tauli x Polícia

É, eu tenho um imã que atrai polícias. Seja onde for: Brasil, EUA, Costa Rica, China, Austrália e claro,  Japão. Sem exceções.

Há duas semanas fomos para uma ilha japonesa chamada Shikoku. É um lugar famoso por uma peregrinação que passa por 88 templos da ilha. Como a gente não tinha dois meses para andar tudo isso, alugamos um carro e demos a volta na ilha. Uma viagem maravilhosa! E viajar no Japão é sempre uma boa surpresa, diferente das nossas aventuras na China...

Alugamos nosso carro no Toyota Rent a Car. De última hora, resolvemos comprar o seguro que deixava nossa franquia em US$ 250 (o mínimo possível). 

Depois de uma hora e meia dirigindo resolvemos fazer um pipi-stop. Quando eu saio do banheiro, o Álvaro está olhando o para-choque de trás do carro. Era um Toyota Aqua, novinho, com uns 500km rodados. 

Ele logo me explica que enquanto estava sentado dentro do carro me esperando, sentiu um tranco. Quando olhou para trás, viu um carro "fugindo", e foi ver o estrago no para-choque. Um pequeno arranhão, mas que aqui, deve custar o mesmo que custou arrumar o Porsche Cayenne que "atacou" minah Ferrari na China. Para quem não lembra deste evento: Sempre em grande estilo!Seguro de carro e Que rei sou eu?. Ah, e quase me esqueço do evento mais bizarro de todos, mais parecido com este do Japão: Encontros e desencontros.

Bom, de volta ao "presente", eu não podia acreditar... Ligamos para a Toyota Rent a Car e eles falaram que primeiro tínhamos que avisar a polícia. As senhoras da loja de conveniência nos ajudaram no telefone, principalmente traduzindo de mímicas para o Japonês. 

Em alguns minutos apareceu a viatura com dois policiais. Nos perguntaram mil coisas, meu talento para mímicas não bastou e tivemos a ajuda do seguro da Toyota traduzindo toda a conversa. Comentamos com os policiais sobre as câmeras da loja. 

Depois de darmos todas as informações, os policiais se foram. Confesso que quando nos despedimos eles falaram algo tipo: "dirijam com cuidado" e eu quase lati para eles que a gente estava dirigindo com muito cuidado! Au-au!!! Mas ainda bem que meu japonês ainda não dá para tanto...

Seguimos nosso caminho. E percebemos que não tínhamos ficado com absolutamente nada. Não tínhamos a cópia do B.O., não tínhamos os nomes dos policiais, não tínhamos o nome e telefone da loja de conveniência, enfim... nada para provar o ocorrido! Mas como Japão é Japão, resolvemos não estressar a aproveitar nossa viagem.

Menos de 48 horas depois, recebemos uma ligação do policial e do cara da Toyota falando que tinham encontrado a pessoa (era uma mulher). Ela queria falar com a gente para pedir desculpas, saber se estávamos bem, e também explicar que ela não percebeu que tinha batido. 

Agora estamos preenchendo os papéis para que ela nos pague os US$ 250 que tivemos que pagar quando devolvemos o carro. 

Bom, né? Este é o final de mais uma história envolvendo a Tauli, a polícia e um final feliz!!!



Friday, April 27, 2012

Mais sobre terremotos...

Hoje tivemos uma visita ao Centro de Prevenção e Desastres de Tóquio, juntos com os demais Embaixadores Latino-americanos e do Caribe.

Todo o "tour" foi bem interativo. Muitas escolas fazem visitas para educar as crianças.

Primeiro, entramos num labirinto com fumaça, simulação de uma casa pegando fogo. E tínhamos que seguir as luzes de emergência para encontrar a saída. Um computador ia monitorando onde as pessoas estavam dentro do labirinto. E marcava também onde alguém passou de uma certa altura, porque o exercício era ir meio abaixado, para evitar inalar a fumaça (que era de mentirinha, claro).

Depois aprendemos a usar o desfibrilador e como proceder caso você encontre uma pessoa inconsciente.

Em seguida entramos no quesito terremoto em si. Aprendi que há dois tipos de terremotos (usando minhas palavras): um que oscila e outro que trepida. O terremoto do ano passado foi do tipo "oscilante", com movimentos mais laterais. O terremoto de Kobe, em 1995, foi do tipo "trepidante", com movimentos verticais. Em geral, estes movimentos verticais são mais fortes, com maior impacto (por isso foi tão grande a destruição em Kobe).

Ultimamente o governo japonês tem falado sobre a grande "probabilidade" de que haja um grande terremoto em Tóquio (nos próximos 100, 200 anos). Caso este terremoto seja deste tipo que trepida, estima-se uma destruição muito grande e causando até 150 mil mortos na cidade. O governo está trabalhando para reformar e modernizar as estruturas de edifícios antigos, pontes, viadutos, etc para que aguentem o tranco.

Há algumas escalas que medem terremotos. No Brasil acho que só ouvimos falar da escala Richter, que mede a magnitude de um terremoto, ou seja, a energia liberada pelo terremoto no epicentro. No Japão utiliza-se outra medida, chamada shindo e que mede a intensidade sísmica, ou seja, a energia liberada pelo terremoto em determinado local (ela pode variar em diferentes lugares de uma mesma cidade). A escala shindo vai de 0 (terremotos muito leves, não perceptíveis para humanos) a 7.

O terremoto de Kobe foi de 7.3 na escala Richter e foi a primeira vez que marcaram nível 7 na escala shindo. O de Tohoku foi de 9.0 interplate earthquake, com shindo 7 em algumas cidades mais próximas ao epicentro e 5 em Tóquio. 

A última parte do tour era uma sala-simulador de terremoto. Eles escolhiam a intensidade do terremoto e a sala começava a tremer. Você tinha que entrar embaixo da mesa para se proteger durante o terremoto. Quando pára, você deve proteger a cabeça com uma almofada (caso algo caia do teto, etc) e desligar máquinas e eletrônicos, para evitar qualquer chance de um curto circuito ou incêndio. Por fim, abrir a porta e mantê-la aberta para, caso necessário, ter uma rota de fuga livre.


Neste vídeo aparece a primeira simulação com o Álvaro, seguida da versão feita pela câmera que ele estava segurando. Em seguida, a mesma simulação comigo. Estas todas eram do tipo que "oscila". A terceira simulação também é shindo 7, mas do tipo que "trepida". O tranco é maior, apesar de ser mais curto e é aí que as estruturas são mais abaladas.

Espero mesmo não presenciar isso. Nunca! Terminei a brincadeira e fiquei muito mareada por um bom tempo. Que a terra não trema muito pelos próximos 100 anos...



Monday, April 16, 2012

Para quê realeza se não há nobreza?

Na mesma semana do meu post anterior: Um elefante incomoda muita gente... me deparo com a notícia do Rei Juan Carlos da Espanha quebrando o quadril em pleno tour de caça a elefantes.

Na minha talvez ingênua imaginação, famílias reais (e imperiais) deveriam agir como modelo a ser seguido pela população que representam. Quando mais eu lia sobre o tema, pior ia ficando... 

Primeiro, a história da família Real espanhola e as armas: neste artigo mencionam que o neto de 13 anos do Rei está em recuperação de um acidente com uma arma de fogo - um tiro no próprio pé. Como se não bastasse, o Rei quando tinha 18 anos, acidentalmente, atirou e matou o seu irmão de 14 anos. Tamanha  obsessão pelas armas, nem Freud explica. Agora, falando sério, alguém conta pra Globo esta trama! Ia ser uma novela e tanto!!!

Como se tudo isso não bastasse, vem a história principal: o tour na África para descansar caçando elefantes. O fato de que caçar elefantes seja legal em Botswana não muda a questão ética de caçar animais em extinção. Gostaria que alguém lesse para o Rei este excelente artigo do Juan Arias (espanhol que mora há 12 anos no Brasil). É uma "carta de um elefante para o Rei da Espanha". 

Ser Rei permite que você haja de qualquer maneira? Permite que você deixe de tentar construir um mundo melhor? Permite que você não seja ético? Ou será que só te permite achar que estamos em pleno século 16 para caçar elefantes sem que ninguém fique sabendo e se importe? 

Não imagino como os espanhóis se sentem, pagando impostos para sustentar, entre outros, o estilo de vida da família Real. Isso sem mencionar a crise que a Espanha está vivendo: ótima hora para este passeio "relaxante e construtivo", Majestade. 

Gostaria de ver consequências mais sérias para a realeza espanhola depois de tamanha barbárie. Que fique claro que realeza não tem nada a ver com onipotência. E que se a realeza vai continuar existindo, que seja para melhorar o mundo, não para destruir. Sem exceções. Que novos padrões de liderança comecem a ser estabelecidos e que um bom líder seja, acima de tudo, ético. Sempre.


PS: esta foto é de 2006...

Wednesday, April 11, 2012

Um elefante incomoda muita gente...


...mas a pereba incomoda, incomoda muito mais!

No norte do Laos decidimos fazer um mini curso de mahout. Mahout é a pessoa que "dirige", conhece e monta um elefante. Um mahout é treinado desde pequeno e recebe um elefante jovem/bebê, para que seja seu parceiro pela vida toda. 
Nosso curso era de dois dias. Parte do curso é usar a roupinha de mahout: blusa e BERMUDA azuis.

O curso começa e você está junto com o mahout no elefante. No meio do caminho ele desce e pouco a pouco vai te deixando sozinho com o bichano.

Passamos várias horas em cima de um elefante (sempre o mesmo). Para quem já montou à cavalo e lembra a dor na perna no dia seguinte, pode imaginar o que é passar tanto tempo em cima de um elefante. Com a pequena diferença que com cavalos eu só sentia no dia seguinte, e com estes pequenos eu já sentia minha perna tremer depois de algumas horas. 
A Lívia comentou numa foto minha que eles parecem peludinhos... Não parecem, são! Só que não são pelos delicados. Cada pelo parece mais um fio de nylon BEM grosso. Agora, imagine o que é sentar-se em uma cadeira cheias de fios de nylon espetados para cima... gostoso né? Pois é, essa era a sensação!

Parte da rotina deles é tomar banho no Rio Mekong. Obviamente, a gente também toma banho. 

Foi uma experiência linda! Eles são MUITO delicados, por incrível que pareça. Sentem qualquer mosca que pare em cima deles e fazem o possível para espantá-la.

Escolhem cada passo com precisão. 

Mas como nem tudo na vida são mil maravilhas... depois de vários dias com MUITA dor nas pernas por passar tanto tempo em cima de um elefante, eu descobri que tinha mais um brinde do passeio. Acordei no meio da noite parecendo aquele cachorro deste vídeo no YouTube, só que no meu caso eu só estava me coçando mesmo...

No dia seguinte fui ver o que era. Não sabia se tinha sido um sonho ou não... E lá estavam elas: as perebas!

O Álvaro também teve umas, mas acho que os pelos dele protegeram um pouco mais. Ou será que o elefante dele está reclamando das perebas? hihihi

As perebas demoraram semanas para desaparecer e parar de coçar. Moral da história para as futuras viajantes: para uma viagem como esta, recomenda-se não depilar.